"Seja a mudança que você quer ver no mundo." - Mahatma Ghandi

A idéia deste blog surgiu a partir do contato com a realidade comum de diversos públicos: empresas, universidades, comunidades, etc. Depois de muito ouvir conceitos equivocados sobre o tema sustentabilidade, resolvi fazer a minha parte!

Bem-vindo! Fique à vontade para questionar, contribuir, transformar!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mensagem de Esperança


Olá! Um novo ano se inicia e com ele também a esperança de uma vida, de um mundo melhor...

Mas como manter esta esperança frente aos crescentes problemas mundiais de todo o tipo? Será que esta esperança não é uma inocência perante o caos mundial?

Hum, vamos ver o que as novas descobertas da ciência têm a nos dizer sobre isso (baseado no livro “Liderança e a Nova Ciência” de Margaret Wheatley):

- Novos modelos de entender a mudança e a desordem surgiram da teoria do caos. Define-se um sistema como caótico quando se torna impossível saber o que ele fará no momento seguinte. O sistema nunca se comporta da mesma maneira duas vezes. Porém, como demonstra a teoria do caos, se observarmos um sistema caótico ao longo do tempo, ele demonstra um estado de ordem inerente, suas ações incontroláveis se mantêm no âmbito de uma fronteira invisível. O sistema contém ordem em seu próprio interior. E revela esse auto-retrato como um belo padrão, seu atrator estranho (ver figura abaixo). Portanto, existe em todo o universo ordem na desordem e desordem na ordem. Sempre pensamos que a desordem fosse a ausência do estado de ordem, vista na própria construção da palavra: des-ordem. Mas o que acontece é uma dança – do caos e da ordem, da mudança e da estabilidade. Assim, estamos diante de complementaridades que apenas dão a impressão de serem polaridades. Nenhum deles tem a primazia; um e outro são absolutamente necessários. Quando observamos o crescimento, observamos o resultado da dança.


   Figura de um atrator estranho caótico (Instituto Max Planck, Dortmond, Alemanha)



- Na química, Ilya Prigogine recebeu o prêmio Nobel de 1977 por seu trabalho que demonstrava como certos sistemas químicos se reorganizam numa ordem de nível mais elevado quando se vêem diante de mudanças no ambiente. Prigogine criou a expressão “estruturas dissipativas” para descrever a natureza contraditória desses sistemas descobertos. A dissipação descreve uma perda, um processo de escoamento gradual de energia, ao passo que a estrutura descreve a ordem corporificada. Numa estrutura dissipativa, qualquer coisa que perturbe o sistema tem o papel crucial de ajudá-lo a se auto-organizar numa nova forma.  Sempre que o ambiente oferece informações novas e diferentes, o sistema escolhe se reage a ela ou não; se a informação se transformar num distúrbio de tal magnitude que o sistema já não possa ignorá-la, há por certo uma mudança real no horizonte. Nesse momento, com tantas perturbações internas e longe do equilíbrio, o sistema se desintegra; mas esta desintegração não significa a sua morte. Se puder manter a própria identidade, um sistema vivo pode reconfigurar-se num nível superior de complexidade, numa nova forma de si mesmo que consegue lidar melhor com o presente. Dessa forma, as estruturas dissipativas demonstram que a desordem pode ser a fonte de nova ordem, e que o crescimento surge do desequilíbrio, e não do equilíbrio!

Então, alguns dos insights que estas descobertas da ciência nos trazem são os seguintes:

- A vida busca a ordem, mas usa a desordem para chegar lá. O que acontece é uma dança – do caos e da ordem, da mudança e da estabilidade.

 - O caos e a mudança são caminhos para a transformação. O crescimento surge do desequilíbrio, e não do equilíbrio.

Assim, o caos instalado em várias dimensões da sociedade (economia, meio ambiente, política, organizações,...) significa que precisamos repensar todas estas questões e evoluirmos como sociedade e como seres humanos!


Que 2012 seja um ano de profundas transformações, de evolução, de amor no sentido maior.

sábado, 8 de outubro de 2011

Teoria U - Parte 2

Olá! Vamos ver um pouco mais sobre a Teoria U!

Como vimos na última postagem, “Presencing”, uma mistura das palavras “presence” e “sensing” refere-se a habilidade de sentir e trazer para o presente o mais alto futuro potencial de alguém – como um indivíduo ou como grupo. A Teoria U oferece tanto uma nova perspectiva teórica quanto uma tecnologia social prática. Como uma perspectiva teórica, a Teoria U sugere que a forma em que atendemos a uma situação determina como a situação se desenrola: se eu atender de uma forma, portanto ela emerge daquele jeito. Como uma tecnologia prática social, Teoria U oferece um conjunto de princípios e práticas para criar coletivamente o futuro que quer emergir (seguindo os movimentos de coiniciar, cossentir, co-presencing, cocriação, e codesenvolvimento).
Então vamos ver os cinco movimentos da Teoria U:
1. Coiniciar: ouvir o que a vida o convoca a fazer, conectar-se com pessoas e contextos relacionados a esse chamado, e convocar constelações de atores sociais centrais que coinspiram a intenção comum.
 No início de cada projeto, um ou mais indivíduos-chave se reúnem com a intenção de fazer a diferença em uma situação que realmente importa para eles e para as suas comunidades. Como estão juntos em um grupo central, eles mantêm uma intenção comum em torno de seu propósito. O contexto que permite que este grupo central se forme é um processo de profunda escuta - escutando o que a vida os chama e aos outros a fazer.

2. Cossentir: ir para lugares de maior potencial; observar, observar, observar; ouvir com sua mente e coração abertos.
O fator limitante da mudança transformacional não é uma falta de visão ou idéias, mas uma incapacidade de sentir, isto é, para ver profundamente, agudamente, e coletivamente. Quando os membros de um grupo vêem juntos com profundidade e clareza, tornam-se conscientes de seu próprio potencial coletivo.

3. Co-presencing: ir para lugares de quietude individual e coletiva, abrir-se para a fonte mais profunda do conecimento e conectar-se com o futuro que quer emergir por você.
A essência do presencing é a experiência da vinda do novo e da transformação do velho. Uma vez que um grupo atravessa este limite, nada permanece o mesmo. Membros individuais e o grupo como um todo começam a operar com um nível elevado de energia e senso de possibilidade futura. Muitas vezes, eles então começam a funcionar como um veículo intencional para o futuro que eles sentem que quer emergir.

4. Cocriação: construir pistas de pouso do futuro prototipando microcosmos vivos para explorar o futuro na prática.
O protótipo não é a fase que vem após a análise, é parte do processo de sentimento e descoberta em que explorarmos o futuro fazendo em vez de pensando e refletindo.

5. Codesenvolvimento: codesenvolver um ecossistema de inovação maior e manter o espaço que conecta pessoas através de fronteiras pelo ver e agir a partir do todo.
O movimento de codesenvolvimento resulta em um ecossistema de inovação que conecta iniciativas de prototipagem de alta alavancagem com  instituições e  grupos que podem ajudar a levá-las ao próximo nível de direção e escala.

Segue figura com os cinco movimentos da teoria U:



E outro vídeo inspirador com Otto Scharmer (infelizmente apenas em inglês):
 


PS:  Boas notícias! Eu fui aprovado em um doutorado na Holanda sobre Responsabilidade Corporativa/Sustentabilidade! A minha pesquisa será sobre liderança consciente para sustentabilidade! Estou muito feliz e continuarei a escrever neste blog assuntos interessantes sobre sustentabilidade, mas agora ainda melhor, com as diferentes visões sobre o que eu vou aprender e pesquisar!
Até breve!

domingo, 31 de julho de 2011

Teoria U

Olá! Hoje iniciaremos como uma citação de Peter Senge:
“O planejamento estratégico para a sustentabilidade requer engajar-se em profunda mudança, uma mudança interna em valores, aspirações e comportamentos guiados por modelos mentais, bem como uma mudança externa nos processos, estratégias e práticas.”
Mas, como fazer esta mudança profunda? Hum, vamos ver como a Teoria U pode ajudar...
A Teoria U foi desenvolvida por Otto Scharmer. Sua essência é "aprender com o futuro à medida que ele emerge", que Scharmer chamou de "Presencing" (combinação das palavras presence e sensing).
Scharmer também diz que presencing é "visão de nossa fonte mais profunda". Isto é sentir e operar da mais alta potencialidade futura de alguém. É o estado que podemos experimentar quando abrimos não somente nossas mentes, mas nossos corações e nossas vontades - nosso ímpeto para agir, a fim de lidar com o que está emergindo ao nosso redor como novas realidades.
Assim:
Mente aberta: Capacidade de suspender o julgamento e o questionamento; ver algo com novos olhos; acessar nossas fontes de inteligência intelectual.
Coração aberto: A capacidade de redirecionar a atenção e utilizar o coração como um órgão de percepção ("ver com o coração"); deslocar o lugar do qual a sua percepção acontece para outro, para o campo/todo; acessar as fontes de inteligência emocional. Nas palavras do biólogo Humberto Maturana, “O amor é a única emoção que aumenta a nossa inteligência”.
Vontade aberta: Capacidade de deixar ir, de se desapegar das suas velhas identidades e intenções e se sintonizar com o futuro que está buscando emergir por meio de mim ou de nós; deixar ir nosso velho eu e deixar vir nosso verdadeiro eu emergente; acessar as nossas fontes de inteligência espiritual.
Segue figura com os movimentos da Teoria U:
Na próxima postagem veremos mais sobre estes movimentos.
Veja abaixo um interessante vídeo com Otto Scharmer :


Para saber mais sobre a teoria U:  www.presencing.com

sábado, 14 de maio de 2011

Educação do Homem Integral – Parte 2

Olá! Uau, faz bastante tempo que não escrevo aqui (a vida, o tempo, e os caminhos...), mas fico bastante feliz em ter voltado!

Hoje vou continuar o tema sobre educação do homem integral!

Segundo Huberto Rohden no seu livro “Educação do Homem Integral”, o homem integral pode ser representado por três círculos parcialmente sobrepostos e parcialmente independentes, deixando no centro uma área comum a todos os círculos:
De acordo com a física, a luz incolor é a síntese de todas as cores. Quando a luz incolor passa por um prisma triangular, ela se desdobra nas sete cores do arco-íris.


Tomando por símbolo da alma a luz incolor do centro, compreendemos que todos os círculos podem ser afetados por esta luz. Assim, a verdadeira educação do homem integral só pode partir do centro do seu Eu, porque só esta luz incolor atinge o corpo, a mente e as emoções.


Por aí se compreende que a verdadeira educação do homem integral só pode ser auto-educação, partindo do centro da natureza humana, e não uma alo-educação, partindo de algum dos círculos periféricos.


Agora você pode estar se perguntando: então qual é a função do professor? E eu respondo: adivinhe? Mostrar o caminho por onde o aluno possa se auto-educar (lembrando que educação é diferente de instrução, veja mais na postagem anterior).


Ou como escreveu Herman Hesse (Nobel de literatura):
“Nada lhe posso dar que não exista em você mesmo,
Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que
há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a
chave.
Eu o ajudarei a tornar visível seu próprio mundo, e isso é tudo”.


Ainda conforme Rohden, o escopo supremo da educação é tornar o homem feliz, realmente feliz. A verdadeira educação mostra ao homem o caminho para ser feliz, seja no gozo, seja no sofrimento. Esta felicidade não é um “prêmio” dado ao homem bom; a felicidade é ele mesmo, quando sua consciência está em harmonia com a alma do Universo!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Educação do Homem Integral

Olá! Para a primeira postagem deste ano escolhi um tema que gosto muito e no qual pretendo me dedicar este ano, que é a Educação do Homem Integral. Mas, espera aí...você deve estar se perguntando: o que isto tem a ver com sustentabilidade? E eu respondo tuuudo, pois sustentabilidade é promovida (ou dificultada) por adivinhe quem? Pelo homem, então se nós seres humanos não estivermos devidamente “educados” adivinhe só o que promoveremos? A “insustentabilidade”...

Vamos começar com o que pensava Albert Einstein: A ciência é maravilhosa, mas ela não pode valorizar a vida do homem; o homem 100% científico pode ser 0% bom; 100% de instrução não é necessariamente 100% de educação, precisamente porque valores vêm de outra região.

Bem, então parece que existe uma diferença entre “Educação” e “Instrução”.

Huberto Rohden (filósofo e educador brasileiro) no seu livro “Educação do Homem Integral” diz que:
“A instrução tem por fim fornecer ao homem o conhecimento e o uso dos objetos necessários para a sua vida profissional. A educação tem por fim despertar e desenvolver no homem os valores da natureza humana; porquanto a natureza humana existe em cada indivíduo apenas em forma potencial, embrionária.”

Ainda, segundo Einstein: “A descobrimento das leis da natureza – a ciência – torna o homem erudito; mas não torna o homem bom. O homem bom é aquele que realiza os valores que estão dentro de sua consciência”. Assim: “O homem instruído é erudito. O homem educado é bom.”

Interessante, não?! Então isso significa que apenas transmitir conhecimentos científicos não significa educar. O que faz bastante sentido, pois o mesmo conhecimento pode ser utilizado para destruir o planeta (em busca de lucros imediatos) ou para viver de forma sustentável (ambiental, social e economicamente), depende da educação, da consciência da pessoa que está utilizando este conhecimento.

Na próxima postagem vamos ver sobre significado de “Homem Integral” e caminhos para esta “Educação”. Até breve!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mensagem de final de ano

Queridos leitores,

Como esta é uma época especial, vou pela primeira vez falar um pouco de mim...

2010 foi um ano de transformação para mim, sai de um trabalho convencional para trabalhar de forma mais abrangente, com mais pessoas, assuntos e desafios...
Idéias que apesar de fazerem os meus olhos brilharem e meu coração bater mais forte, não foram fáceis de iniciar, pois o novo assusta e todo o campo inexplorado contém obstáculos ainda não imaginados.

Mas tudo isso me ajudou muito a evoluir como ser humano, a entender que tudo simplesmente “flui”, independentemente do rumo que achamos que seja “o certo”, também aprendi a sentir e ver sobre novos pontos de vista e a amar a humanidade, independentemente de seus erros e acertos.

Mudanças, alegrias e aprendizados...

Sim, este foi um ano de grandes mudanças internas, uma revisão completa sobre tudo, que me fez “intuir” melhor no lugar de somente “pensar” (sou engenheira, lembram? então o “raciocinar” sempre foi mais fácil do que o “sentir”).

E o meu trabalho está começando a germinar... a semente estava forte e segura, podia viver milênios desta forma sem aparecer (era mais segura nos padrões convencionais), mas com cuidado especial, propósito elevado e amor, resolveu se abrir e se mostrar...e agora consigo ver as suas primeiras folhas...2011 será o ano das flores e dos frutos...aguardem...

Este blog é uma forma maravilhosa de divulgar o que acredito e de mostrar que não acredito sozinha, como dizia uma música de Raul Seixas: “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Então, queridos leitores, agradeço de coração por terem compartilhado comigo suas idéias e sentimentos, por terem pensado sobre o que escrevi, por terem me dado a oportunidade de semear esperança...

Desejo a vocês um abençoado Natal e
Um 2011 cheio de amor, descobertas, crescimento, paz, alegrias, humanidade...

Com carinho e até breve,
Ana Marques

domingo, 31 de outubro de 2010

Teoria dos Sistemas Vivos – Parte 2

Olá! Hoje vamos ver como os princípios básicos de organização dos ecossistemas podem ser utilizados para a construção de comunidades humanas sustentáveis. Assim, levando-se em consideração a experiência de mais de três bilhões de anos de evolução dos ecossistemas da terra, seguem os seus princípios (baseado no livro “A Teia da Vida” de Fritjop Capra):

Interdependência: todos os membros de uma comunidade ecológica estão interligados numa grande rede de relações, a teia da vida. Logo, a interdependência (dependência mútua de todos os processos vitais dos organismos) é a natureza de todas as relações ecológicas. Assim, é importante a nossa mudança de percepção das partes para o todo, de objetos para relações, de conteúdo para padrão, ou seja, pensar de forma sistêmica. Uma comunidade humana sustentável está ciente das múltiplas relações entre seus membros, nutrir a comunidade significa nutrir estas relações. Então, o sucesso da comunidade toda depende do sucesso de cada um de seus membros e o sucesso de cada membro depende do sucesso da comunidade como um todo.

Reciclagem: sendo sistemas abertos, todos os organismos de um ecossistema produzem resíduos, mas o que é resíduo para uma espécie é alimento para outra, de modo que o ecossistema como um todo permanece livre de resíduos. Um dos principais desacordos entre a economia e a ecologia vem do fato de que a natureza é cíclica, enquanto que nossos sistemas industriais são lineares. Assim, extraímos recursos e os transformamos em produtos e resíduos. Os padrões sustentáveis de produção e de consumo precisam ser cíclicos, como na natureza. Para conseguir estes padrões cíclicos, precisamos replanejar num nível fundamental nossas atividades comerciais e nossa economia. Como exemplos, poderia ser mais utilizada a energia solar (que é a fonte básica de energia dos ecossistemas) e implantar gradativamente impostos ecológicos (para que os preços refletissem melhor os custos reais, e falando nisso lembra da postagem sobre
Capital Natural?).


Cooperação: nos ecossistemas os intercâmbios cíclicos de energia e de recursos são sustentados por cooperação generalizada. Na sociedade humana atual, a economia enfatiza a competição, a expansão e a dominação; mas a ecologia enfatiza a cooperação, a conservação e a parceria (hum, parece que estamos indo para a direção errada...). Nas comunidades humanas, parceria significa democracia e poder pessoal, pois cada membro da comunidade desempenha um papel importante. À medida que uma parceria se processa, cada parceiro passa a entender melhor as necessidades dos outros. Numa parceria verdadeira, confiante, ambos os parceiros aprendem e mudam, eles coevoluem. Veja mais sobre este assunto na postagem “Cooperação como chave do sucesso”.

Flexibilidade: em um ecossistema, é uma conseqüência de seus múltiplos laços de realimentação, que tendem a levar o sistema de volta ao equilíbrio sempre que houver um desvio com relação ao padrão, devido a condições ambientais mutáveis. A falta de flexibilidade se manifesta como tensão e esta ocorre quando uma ou mais variáveis do sistema forem empurradas até seus valores extremos, o que induzirá uma rigidez intensificada em todo o sistema. Assim, administrar um sistema social (uma empresa, uma cidade ou uma economia) significa encontrar os valores ideais para as variáveis do sistema. Se tentarmos maximizar qualquer variável em vez de otimizá-la, isso levará à destruição do sistema como um todo. O princípio da flexibilidade também sugere uma estratégia correspondente para a resolução de conflitos. Em toda comunidade sempre haverá contradições e conflitos, que não podem ser resolvidos em favor de um ou do outro lado. Por exemplo, a comunidade precisará de estabilidade e de mudança, de ordem e de liberdade, de tradição e de inovação. Esses conflitos inevitáveis são muito melhor resolvidos estabelecendo-se um equilíbrio dinâmico, em vez de decisões rígidas que privilegiem apenas um dos lados.

Diversidade: nos ecossistemas, o papel da diversidade está estreitamente ligado com a estrutura de rede do sistema. Um sistema diversificado também será flexível, pois contém muitas espécies com funções ecológicas sobrepostas que podem, parcialmente, substituir umas às outras. Nos ecossistemas, a complexidade da rede é uma conseqüência da sua biodiversidade e, desse modo, uma comunidade ecológica diversificada é uma comunidade elástica. Nas comunidades humanas, a diversidade étnica e cultural pode desempenhar o mesmo papel. Diversidade significa muitas relações diferentes, muitas abordagens diferentes do mesmo problema. No entanto, a diversidade só será uma vantagem estratégica se houver uma comunicação realmente vibrante, sustentada por uma teia de relações. Se a comunidade estiver ciente da interdependência de todos os seus membros, a diversidade enriquecerá todas as relações e, desse modo, enriquecerá a comunidade como um todo, bem como a cada um dos seus membros.


Interessante, não?! Agora pense em como estes princípios podem ser aplicados na sua vida. Pensar para entender, sentir, mudar...