Olá! Hoje vamos falar sobre amor e sustentabilidade. Uau, parecem assuntos
tão diferentes, mas que estão muito mais ligados do que poderíamos imaginar :)
De acordo com o pensamento de várias culturas ancestrais, uma das
principais causas do sofrimento é a ignorância. Mas, não é exatamente a
ignorância referente a falta de informação. É a ignorância que se refere a um
equívoco fundamental de percepção da verdadeira natureza do eu e de todos os
fenômenos.
Como afirma Dalai Lama (1), todas as emoções ou estados mentais negativos
(como o medo, a ganância e o ódio) são estados mentais ‘ilusórios’, já que se
enraízam numa percepção equivocada da verdadeira realidade da situação. Por
mais poderosas que sejam, no fundo essas emoções negativas não possuem nenhum
fundamento válido, são baseadas na ignorância. Por outro lado, todas as emoções
ou estados mentais positivos (como o amor e a compaixão), têm uma base sólida.
Quando a mente está vivenciando esses estados positivos, não existe deturpação,
pois estão ancorados na realidade. Podem ser verificados por nossa existência.
Existe uma espécie de solidez e enraizamento na razão e na compreensão. Por
exemplo, a compaixão, uma emoção positiva, vem do fato que não queremos sofrer
e que temos direito à felicidade. Isso pode ser verificado e legitimado pela
nossa experiência. Reconhecemos então que outras pessoas, exatamente como nós,
também não querem sofrer e também têm direito à felicidade. Essa passa a ser a
base para começarmos a gerar compaixão. Como exemplo de estado mental negativo,
a ganância, que se baseia simplesmente num estado de insatisfação, de querer
mais, muito embora as coisas que queremos não sejam realmente necessárias.
Assim, a ganância não possui motivos válidos para a legitimar.
Mas se tudo isso é verdade, como se justifica o estado mental negativo
do medo de nossa destruição do planeta? Como não lutar para que este medo não
se torne real? Como não tentar corrigir este estado insustentável do planeta? Bom,
se nos colocarmos como “salvadores do mundo”, mas motivados pelo medo, ainda
estaremos dentro do estado de consciência da ignorância/ilusão. E isso não tem
tanta força, já tentamos isso por séculos e séculos. Seja o que for, se ainda
for motivado pelo medo, ainda estará no estado de consciência antigo. Mas,
quando é motivado pelo amor, aí sim tem força! Então não estamos mais tão
interessados no que somos contra, estamos interessados no que somos a favor
(2).
Mahatma Gandhi sempre dizia às pessoas: “Eu não sou contra o domínio
britânico, eu sou a favor da soberania da Índia, sou a favor dos direitos da
Índia. Eu não estou contra ninguém”.
Nelson Mandela não estava contra os brancos, ele era a favor dos
direitos dos negros.
Assim, sejamos a favor da vida! Sejamos a favor do desenvolvimento pleno
de todos os seres humanos! Sejamos a favor da natureza! Sejamos a favor da
compaixão universal! Sejamos a favor do amor maior!
"Um dia depois de ter dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade,
vamos entender ... as energias do amor. Então, pela segunda vez na história do
mundo, o homem terá descoberto o fogo.”
(Pierre Teilhard de Chardin)
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Referências:
(1) Dalai Lama - Livro: A Arte da Felicidade: Um Manual para a Vida. Editora Martins Fontes, São Paulo, 2003.
(2) Adyashanti